domingo, 4 de julho de 2021

Chegadas e partidas chega ao fim. Será?

 

Os anos seguintes seguiram à risca o mote das famílias que compunham o núcleo Miessva. Annamaria e Lauro embarcam com a família para morar em Fortaleza com o casal Enrico e Vera que foi apoiar na chegada da mudança. Seria um tempo de desafios para o casal e as pequenas. Ali, Catarina foi para a escolinha e Marina aprendeu a andar. Anna e Lauro deixam um belo e inestimável presente para a tia Lena – um apartamento montado com eletrodomésticos e móveis e ainda negociação com o proprietário feita por Lauro, permitindo que Lena recomeçasse sua vida no Itaim Bibi, perto da Vila Nova Conceição onde nasceu.  Cerca de um ano e meio, eles retornam para morar em Jundiaí e fazer as viagens semanais para Sorocaba para curtir a gostosa casa e casal Rastelli.

E em 07 de março de 2011 chega a vez de Octavio e Alessandra se tornarem pais da pequena Maria Eduarda, logo chamada com carinho por Duda. A neta que se tornaria uma grande companheira dos avós Rosely e Luiz Carlos.  


                  Chegada de Duda   


E a família Acerbi cresce mais uma vez, com a chegada da bela e esperta Cleo, em 18 de julho de 2012, que logo mostrou a que veio – alto astral, falante e que uniu ainda mais a família formada pelos jovens pais Beatriz e Mateus. Nesses anos da nova década, Rose e Luiz Carlos também passam a se dedicar mais à construção da casa no Condomínio do Km 29 – próximo à Embrapa São Carlos onde Rose trabalhou por 15 anos.  

Bia e Cleo, dupla inseparável  



Em 2013, entra na família personagem que se torna presença indispensável na vida de todos  – o golden retriever Spock, cachorro fiel à dona Vera e mimado por toda a família. 

 

Chris, Spock e Marina

Enquanto as chegadas ocorriam com alegria, tinha início um dos períodos mais difíceis para Vera, filhas e Lena – a doença do Enrico que se agrava e faz com que ele vá definhando durante quatro longos anos. Não foram poucas as despedidas entre Vera e Enrico com choros e abraços – presenciadas de soslaio por quem ali passava os finais de semana, fosse para ajudar, fosse para dar um pouco de alegria para Vera que não se afastasse um minuto dali. Amigos a ajudaram financeiramente em um tempo difícil. Outros parentes – Rastelli, Miessva, Acerbi, Meyer Pflug - faziam as visitas a Sorocaba sua rotina. Nos finais de semana, Lena chegava para ajudar e conviver com as meninas e Anna. Então, foi necessário tomas a decisão de chamar a Paola para vir urgente para o Brasil. Ela chegou em 22 de maio de 2014 e ficou deitada no colo do Bino – como carinhosamente as filhas o chamavam – o dia todo. De noite, Enrico partiu e como Vera disse: "Ele esperou ela para ir embora para sempre!

Faltam palavras para expressar a importância que ele teve nas vidas de todos. Enrico foi mais que um cunhado para Lena e Rosely ou genro para Odette.  Ele foi pai, amigo, filho, irmão – papeis desempenhados naturalmente em toda a sua vida com os Miessva. Um grande companheiro para a Veruska e pai da Sussuca (como chamava Annamaria) e Paoletta (a ruivinha Paola).

Os meses seguintes foram de muito trabalho para Vera e filhas. Felizmente, por essas coincidências do universo, a casa de Sorocaba é vendida e Vera muda-se para um apartamento em Jundiaí para morar perto de Anna e família.

E como todo movimento na vida é de ir e vir, em 9 de maio de 2015 nasce Antônio, filho de Christian e Vanessa. Os olhos azuis lembram os da avó Toy e a paixão por ferramentas recordam as invenções de Enrico.


Chris e meninos


Quase um ano depois, em 6 de abril de 2016, é celebrada a chegada de Sophia, a caçula da família, filha de Felipe e Luciana, e que traz ainda mais alegria para os avós Luiz Carlos e Rosely. Um jeitinho de boneca, mas que cresce com ares de sapeca...


Sophia sempre agarrada ao pai Felipe

Com o propósito de uma vida nova, Fabiana muda-se com João Pedro e Luiz Felipe para os Estados Unidos. Despedida difícil, mas esperando sempre as férias de finais de ano para curtir os meninos. Com isso, Christian acrescentaria a parada em Orlando em suas viagens a trabalho para os Estados Unidos.

E em 2018, Anna e Lauro decidem fazer o caminho inverso de seus ancestrais e migram para a Europa, indo morar em Portugal no final do ano. Não foi uma despedida fácil. Afinal, foram anos em que as ‘três pequenas’ conviveram muito com a nonna durante a semana e se uniam à ‘tia Lena’ que chegava nos finais de semana para passeios em shoppings e tardes de jogos de tabuleiro. Luisa, que já estava na faculdade de Letras na USP, decide ficar e morar com Vera em Jundiaí,  passando alguns dias da semana com Lena, na Vila Leopoldina, em São Paulo.

E esse bairro com jeito de cidade pequena recebeu uma nova moradora em 2020. Com o apoio de Anna, que tinha vindo trabalhar por dois meses no Brasil, Vera fez sua volta para São Paulo, desapegando-se de muitos móveis e objetos que fizeram parte de sua história.

Vera e Lena se tornam ‘quase’ vizinhas e em almoços ou cafés, com a companhia de Luisa, resgatam as memórias nesses dias difíceis para todos. As saudades dos que moram longe são diminuídas pelas reuniões virtuais. Tempos de pandemia enfrentados com fé, esperança e determinação em olhar o futuro com otimismo.

A saga da família Miessva segue com histórias saborosas e mantem o espírito alegre de Odette e a prudência de Ignácio. Afinal, foi a união deles e a bagagem de seus ancestrais – como João e Sebastiana Aguirre Camargo e Josef e Catarina Mierzwa – que geraram as fortalezas dos Miessvas e que estarão sempre presentes em seus descendentes com sobrenomes Meyer Pflug, Rastelli, Acerbi, Lapa, Rosenwinckel, Daurício e Joaquim.


Trio Rosenwinckel Miessva - Octavio, Alessandra e Duda 

    

Quarteto Miessva Dauricio - Mateus, Bia, Theo e Cleo



Quarteto Meyer Pflug -  Chris, João Pedro, Luiz Felipe e Antonio 


Os Rastelli Lapa - Lauro, Anna e meninas



Dupla Rastelli, Paola e Anna, no Porto (esq.)

Felipe e sua Sophia


Trio Acerbi - Olívia, Luiz Carlos e Rosely

Chris e Grace visitando Lena e Vera



Ignacio e Odette, alicerces firmes da família Miessva


E assim, novas memórias surgirão para serem contadas... mas isso é outra história!  

 

    

   

sábado, 29 de maio de 2021

2009, um ano como poucos

O ano de 2009 foi definitivamente um ano ímpar na saga dos Miessva e seus descendentes. Lena concluiu a separação com venda do imóvel, pagamento de dívidas, empacotamento de CDs, livros e memórias em 13 caixas, guardadas em depósito – o mesmo que recebeu as caixas e móveis da Paola em 2008 quando foi morar na Itália. Lena mudou-se para apartamento de Vera e Enrico no Morumbi e  retomou sua carreira como jornalista freelancer.

Em 9 de abril chegou Theo, filho de Bia e Mateus, trazendo de novo a rotina de cuidados com bebês à casa dos avós Rosely e Luiz Carlos.   


 

chegada de Theo


Um mês depois, em 8 de maio, foi a chegada de Marina, a caçula de Annamaria e Lauro. Meses depois, Anna é operada de hérnia, e a pequena Marina era ‘transportada’ para cima e para baixo por todos.   



Marina com meses

Enquanto as avós Vera e Rose estavam às voltas com netos e netas, Chris marcava presença na casa de Vera e Enrico em Sorocaba a cada 15 dias com os filhos João e Luis. E, em um final de semana de julho, Vera resolveu fazer o prato tradicional na família – cuscus com pedaços de queijo, montado com tomate, palmito e outras guloseimas. Como também estava envolvida em outras tarefas na cozinha, virou o cuscus como se fosse bolo e foi água fervente no rosto e no pescoço e um pouco nos braços. Depois de ser medicada no SUS de Araçoiaba da Serra, foi para São Paulo e levada por Lena e Enrico para o hospital Albert Einstein, onde passou por um peeling.

Meses depois, foi a vez de Enrico ser operado para colocar uma válvula no cérebro, como forma de controlar a diagnosticada hidrocefalia comunicante.  

Entre chegadas e mudanças, mais uma vez a família celebrou a vida, em gostosa reunião familiar em Sorocaba com Paola - que vinha duas vezes por ano ao Brasil – preparando-se para as novidades dos anos seguintes!



Final de ano em celebração

   

domingo, 25 de abril de 2021

Uma vida como poucas

Durante algum tempo, o casamento de Lena já dava sinais de falecimento e depois de um ano e meio vivendo em frágil equilíbrio emocional e financeiro, ela decidiu pela separação. Em 2008,  faltavam alguns detalhes para fechar esse capítulo e, em julho, ela e Vera foram para uma curta semana de férias em Itamambuca. Lena esperava recarregar as baterias e se preparar para o desfecho e iniciar uma nova etapa. 

No terceiro dia, após almoço com Anna e as pequenas Luisa e Catarina, receberam um telefonema de Rosely dizendo que Odette tinha sido internada em estado crítico. Lena e Christian foram para São Carlos e lá, na nova enfermaria do Hospital Municipal de São Carlos, os netos que conviveram com ela naqueles dois últimos anos de sua vida puderam se despedir e o mais velho pode abraçá-la mais uma vez. 

De forma impressionante, mas não surpreendente, Odette se manteve lúcida. E, na madrugada de 8 de julho de 2008, passou suas últimas horas ouvindo Lena contar várias histórias de sua vida. Então, tirou um pequeno anel de seu dedo direito e deu para a filha caçula. Na manhã de 8 de julho, ao lado da cuidadora e de enfermeiras, a jornada de Odette chegava ao final. Na casa de Rosely, suas filhas choraram e se abraçaram. Não só sentindo a sua partida, mas prevendo a falta que suas risadas, força e carinho fariam em suas vidas.

Para encerrar esse capítulo, mas não essa história, vale lembrar um texto de Lena para seus 80 anos, lido em uma bela festa que celebrava sua vida.  

Falar da Odete é falar de boas risadas, de brincadeiras de roda e de músicas infantis ensinadas para as gerações que gerou. Mulher forte, que tantas vezes engoliu seu choro para não deixar tristes filhas, netos e genros.

Nascida no meio do campo, criou histórias com suas lembranças da fazenda, do cafezal em flor e das noites de luar. Dos patinhos no meio da chuva, do leite quente colhido e tomado pela manhã, ainda na cama. Do pai sempre gentil e atencioso, da mãe, severa e bela.

Com os irmãos, aprendia futebol. Pelos irmãos, preparava os mais gostosos quitutes, saboreados pelas mais de 12 pessoas reunidas na grande mesa da casa. Pelas irmãs, costurava um vestido aqui, ajeitava um penteado ali. Tudo para ver os outros felizes. Na juventude, descobria a alegria dos bailes, flertes e namorados. E lá estava presente a sua risada alegre sempre contagiando o ambiente.

Amizades cultivadas ao longo da vida. Com frequência, usam o telefone para manter os laços vivos. Lembram histórias de ontem e riem das dificuldades de hoje.

Com Ignácio, seu companheiro de vida, construiu uma família, feita de mulheres alegres e fortes. Criadas à sua semelhança, aprenderam a não desistir diante dos problemas. Sempre há uma solução. É só rezar, pedir ajuda a Deus e jamais perder a fé e a confiança em si.

Sua casa sempre esteve aberta. Por ela passaram sobrinhos, amigas, filhas em momentos difíceis, netos e netas. Não importava onde estava morando. A porta se abria, o cheiro da comida no forno surgia. Roupa limpa de cama e de banho estava logo ali, pronta. E, depois, sempre tinham as conversas até altas horas da noite. Afinal, ela nunca foi de acordar cedo, mesmo!

Sua mão de fada-madrinha sempre aparecia para dar um toque especial. Foi assim com os vestidos de Vera, Rosely e Lena para o casamento de sua filha mais velha, a Toy. Também foi assim com as toucas e roupas de bebê feitas com carinho para os seus netos. Com os mais velhos Christian, Anna e Paola, viveu muitas histórias e criou brincadeiras. Sempre em meio ao preparo das balas de café, das receitas de brigadeiro e da paçoca feita para comemorar as festas juninas.

Eles cresceram com ela ao seu lado. Dirigindo o carro, preparando festas, fazendo bolos criados com carinho e criatividade. Uma pequena boneca logo se tornava uma princesa, com vestido decorado com flores de glacê...

Depois chegaram os gêmeos Beatriz e Octavio. E lá estava ela de novo, firme e forte. Ao lado da filha Rosely, do genro Luiz Carlos e da nova família que nascia em São Carlos, transmitindo energia, brincando com o genro, trocando os netos, e – mais uma vez - ensinando jovens a lidar com crianças.

Mais um ano e pouco, era avó de novo. Nascia Olivia, a neta que de tanto gostar dela, se autodenominava “sua filhinha”. Que alegria sentia ao esperar a neta chegar sozinha no Rio de Janeiro, depois de horas de viagem de ônibus, para passar as férias com a avó. E então, por último, nascia Felipe, o neto caçula que, na praia do Leme, logo fazia novas amizades, lembrando o jeito de ser da avó.

Os anos passaram e uma nova geração chegou com a pequena Luisa. Mais uma vez, a sua casa encheu-se de risadas infantis, de músicas de roda, de bonecas, de roupinhas de lã feitas com tanto amor. E depois nascia João Pedro, com cachinhos herdados da mãe Fabiana, mas que lembram tanto a filha Toy, criança com profundos olhos azuis.

Odette...    Durante mais de oito décadas vem mostrando que o espírito jovem pode e deve ser mantido.

Odette...   Ao longo de sua vida, ganhou outras filhas – como Idalina, Idaicy, Regina e tantas outras.

Odette.... Avó de tantos outros netos que nas festas estão sempre rindo de suas brincadeiras e ouvindo suas histórias.

Odette.... Exemplo de força e alegria. Que amanhã estará abrindo mais uma vez a janela, arrumando a sua roupa e se preparando para mais um dia que pode trazer telefonemas, surpresas, visitas e muitas risadas. E a leitura do jornal, que não pode faltar!

Odette.... Muito obrigado por você existir! Parabéns pelo seu dia de aniversário! 

auto-retrato de Odette na juventude




sábado, 6 de março de 2021

90 anos bem vividos

 

Os primeiros anos da década 2000 foram transformadores na vida da terceira geração da família. Olívia e Beatriz, nossa Bia, deixaram São Carlos para iniciar a vida universitária e, ao mesmo tempo, enfrentar os desafios que é sair do ninho familiar. 

Após morar alguns meses com a avó Odette, Olívia começou a construir sua vida em São Paulo, trabalhando e estudando. Nos primeiros anos, dividia o apartamento com outras estudantes. Bia foi estudar e morar na Praia Grande, onde conheceu Mateus, seu futuro companheiro.

Em 16 de junho de 2001, aos 21 anos, Octavio e Alessandra decidiram dar mais um passo no relacionamento iniciado em 1999, quando ambos fizeram um cadastro na área de relacionamento Almas Gêmeas do site Terra. Alessandra já era mãe de Paulinho, então com três anos. Depois de seis meses de trocas de mensagens, decidiram se conhecer e começaram a namorar. 

Enquanto isso, a família de Chris e Fabiana crescia. E, em 26 de abril de 2004, chegou Luiz Felipe, trazendo muita alegria. João Pedro estava ansioso pela chegada do irmão, com quem imaginava partilhar logo brincadeiras e risadas. Mas constatou rápido a realidade do início da vida quando, meses depois, certo dia, olhou firme para o irmão e disse enfaticamente para o pai:

- Mas ele só dorme!

Nesses anos, a saúde de Odette foi ficando mais fraca e demandando maior atenção das filhas. Os momentos de alegria eram por conta das brincadeiras de Luisa e João Pedro - parceiros como os pais Anna e Chris.


Odette e o bisneto Luis Felipe

Odette, Luisa e João Pedro



Em 2005, um incêndio toma conta do apartamento de Odette que teve forças para acordar com a fumaça, enfrentar o fogo que estava na sala, sair pela cozinha e sem resposta dos vizinhos, pegar o elevador e descer para a portaria.  Lena morava perto e foi avisada. Mais uma ida de ambulância ao Hospital 9 de Julho. Em seguida, avisou Vera que ali chegou com Enrico. Depois do apartamento pintado e arrumado, foi necessário tomar a difícil decisão - seria melhor desmontar a sua casa e ela mudar para morar com Rosely e família em São Carlos. O início da convivência mais próxima não foi fácil. Exigiu muita paciência e resiliência de Rosely que saía cedo para trabalhar no Embrapa, enquanto Luiz ia para sua marcenaria. Odette tinha seus netos Felipe, Octávio e sua mulher Alessandra sempre por perto. 

Vera e Rose se revezavam para ficar com Odette. Cada uma ficava com ela durante um mês e meio, enquanto ela podia se deslocar com saúde. Vera ia para São Carlos e buscava Odette para irem para Itamambuca. Ali, ela curtia netas e bisneta.

Anna e Odette na gostosa mesa de café da manhã

Na mesma época, Lena teve sério problema de saúde com estresse agudo que culminou em internação com pressão alta no hospital Albert Einstein e tratamento por vários anos. 

Enquanto isso, Luisa reinava como única criança para os 'nonnos' Enrico e Vera. Companheira de passeios com nonno nos domingos e de mimos da tia Paolinha. Mas isso logo mudaria.

Em 15 de outubro de 2007, nasceu Catarina Rastelli Lapa. Naquela noite, enquanto Luisa e Lena ficaram no quarto na maternidade São Luiz, Paola foi levar uma roupinha nova pedida pelo Lauro, que estava no centro cirúrgico com Anna. O tempo passa e nada dela voltar. Lena e Luisa já tinham esgotado o repertório de músicas e brincadeiras. De repente, Paola entra chorando no quarto. 

No primeiro momento, Lena ficou assustada, mas logo relaxou ao ouvir que ela tinha visto o nascimento da sobrinha linda e que tinha sido maravilhoso. Então, depois de mais de um século, uma nova Catarina estava na família. Uma menina doce e carinhosa e muito emotiva, com lágrimas que ficaram conhecidas na família, ao surgirem facilmente em seus profundos olhos. Emoção para a nonna Vera que ganharia mais uma parceira de brincadeiras e aventuras infantis. 

Meses depois, Catarina conheceu a bisavó Odette, tios-avós e primos em São Carlos.


Odette e a bisneta Catarina


domingo, 7 de fevereiro de 2021

Partidas e chegadas, ou vice-versa

Em dezembro de 1999, na casa de Odette – que já morava no Morumbi, perto das filhas Lena e Vera, Chris e sua esposa Fabiana anunciaram a chegada de seu filho e que haviam escolhido a tia Lena como madrinha. Choro e emoção em meio a sorrisos e abraços.

Dias depois, mais emoção na virada do ano 1999 para 2000 marcada pela reunião das famílias Rastelli e Miessva. Todos foram para a praia de Itamambuca, em Ubatuba. Na então casa nova da Vera e Enrico, na rua 13, ficaram Lena e seu marido, Odette e Paola, Anna – grávida de quase oito meses, e seu marido Lauro. Na casa da rua 9, ficaram hospedados os irmãos do Enrico, Gianpaolo e Marco, com suas famílias, Rosely e Luiz Carlos e sua família.

Três irmãos e três irmãs, maridos, esposas, filhos e filhas, sobrinhos e muito movimento. Todos vestidos com camisetas brancas com o ano 2000 em dourado, dadas por Enrico e Vera. Por volta de dez horas, há um acidente em um transformador na rua e...foi-se a luz

Preparo para Ano 2000

Improvisação para organizar a ceia na sacada da frente, brincadeiras de Gianpaolo e Enrico, muita confusão e alegria. Odette se recuperava bem do tumor, que limitou sua mobilidade, mas não a impedia de brincar e rir, orgulhosa da festa organizada pela Verinha.

O ano 2000 trouxe a partida de Peter, de forma precoce, aos 58 anos, deixando sua mulher Ana Maria e, além de Chris, os filho Betina, André e Júlia. Não ouviríamos mais suas risadas nem teríamos suas brincadeiras – ainda que às vezes um pouco impertinentes. A preocupação de Odette e filhas era que ele não tivesse tido tempo para compartilhar com o filho Chris a sua história com a Toy. Ao longo de sua vida, falar dela era muito difícil, senão impossível. Ao chegar no velório, Chris contou à sua tia Lena que semanas antes eles haviam tido uma conversa e Peter contou enfim a história de amor, dor e de realização – afinal, estava ali a concretização daquela união - um homem que em breve também seria pai e descobriria que o ato de amar um filho é interminável! 

Peter e Julia, sua filha caçula


A década final dos anos 1990 e os primeiros anos do novo século trouxeram também a perda de muitos tios e tias da família Aguirre, com momentos de compartilhamento de lembranças, risos, choros e abraços entre primos no cemitério do Araçá.

Chegada da princesinha Luisa

Enquanto os mais velhos partiam, chegavam os integrantes da quarta geração. Em 7 de fevereiro de 2001, é a vez da primeira da quarta geração – Luisa Rastelli Lapa, na mesma maternidade São Luiz em que Toy deu à luz ao Christian, a primeira das pequenas princesas da geração da família paterna Lapa e a primeira neta de Enrico e Vera.

No bairro da Vila Nova Conceição, berço do crescimento da família Miessva, foi saudada pelas mulheres da família Odette, Vera e a mãe Anna. Foi um dia de alegria e de alívio da tensão para que tudo corresse bem naquele parto.  

E a pequena Luisa começou mostrar a que veio – ocupando espaço com suas brincadeiras nos almoços de domingo na casa de Vera e Enrico, nas idas para a praia de Itamambuca com os avós e nos passeios com o nonno. 

Odette e a bisneta Luisa

 


As mulheres da família em 2001, 
com Paola deitada por problema na coluna 
que seria operada naquele ano


segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Volta para boa e velha Sampa

No início dos anos 1990, com governo Collor, inflação descontrolada, sem novos desafios profissionais e ainda que gostasse da empresa onde trabalhava, Lena decidiu voltar para São Paulo e Odette resolveu ficar no Rio de Janeiro. A busca de novo emprego era feita semanalmente, quando a sobrinha Annamaria mandava o caderno de classificados do Estadão pelo correio. Na mesma época, Christian decidiu sair da casa dos pais. Então, por que não tia e sobrinho morarem juntos mais uma vez?

Para viabilizar a manutenção de duas residências, o melhor seria voltar à casa da rua George Ohm. Para tal, Vera e Odette se encarregaram pessoalmente da conversa com o então inquilino.

Foi assim que no segundo semestre de 1991, Christian se muda para ali com poucos móveis. E, em março de 1992, Lena é aprovada para assumir a gerência de comunicação na empresa de agronegócio Cargill.

A mudança para São Paulo foi feita em dois carros, com a ajuda de Christian e amigos e a sobrinha Paola – apenas roupas, livros, discos, uma estante e nada mais, parodiando uma velha canção.

Logo na primeira semana, a prima Idaicy deu sua antiga cama de casal e Chris ganhou dos pais uma estante e um mural de couro para a sala. Lena comprou televisão e um aparelho de vídeo, geladeira, máquina de lavar e fogão. Chris ajudava a pendurar quadros ou resolver problemas caseiros com martelo e prego que, segundo ele, eram muito práticos para qualquer problema caseiro!

Eric, primo do Christian, veio morar ali por alguns meses antes de casar, dividindo um quarto com Eduardo, amigo do Christian. E as doações para a montagem da casa continuaram, algumas feitas por Cristina – tia do Chris por parte de pai – que desmontou um apartamento. Foram várias viagens do Morumbi para o Brooklin, com entusiasmo pela dupla Lena e Chris.

Então, Lena decidiu reformar a casa – tarefa que ficou sob a responsabilidade da Vera Cecília, que ali também montou o seu ateliê de pintura.

Christian teve o quarto que sempre sonhou – feito para o seu tamanho – com uma cama alta, em que ele podia sentar e balançar os pés! E um banheiro com pia para sua altura. Logo, chegou também o cachorro Nero, que fez companhia para os dois e a alegria de quem ali chegasse para um almoço no final de semana ou uma hospedagem depois de uma festa.


Chris e Lena com Nero


Em 1995, depois da volta de Odette para São Paulo, aconteceu o primeiro casamento da segunda geração - Anna casa-se com Lauro, seu primeiro e único namorado, em uma bela festa com primos e tios.

Encontro de tios e primos 
no casamento da Anna e Lauro

Em 1996, Enrico deu de presente para a sogra Odette – que o considerava como filho – uma viagem para a Europa. Mais uma vez, ela mostrou coragem, viajando sozinha para Paris, onde iria se encontrar com a filha e o genro. 


Odette e Enrico em Paris

Ali, Vera mostrou a cidade das luzes para a mãe – andando de metrô e a pé. Certa tarde, Odette comentou com a filha: 

- Vera, quanto custa um táxi aqui? Eu pago, minha filha. Trouxe dinheiro! 

Quando chegaram no Palácio Versailles, novamente seu comentário mostrou como pensava o mundo:

- Verinha, é bonito, mas podiam asfaltar essas pedras. Seria melhor para andar...

Com carro alugado, foram para a Itália, onde Odette conviveu com alguns parentes da Vera, e para a Suiça – onde o comentário da mãe mostrou suas origens de fazenda paulista:

- Mas, minha filha, as vacas daqui têm cada ubre grande!

Nesse mesmo ano, foi a vez de Lena e Chris partirem novamente para caminhos separados - primeiro Lena e o namorado foram morar juntos em uma casa no Alto de Pinheiros, levando o cachorro Nero. Em seguida, Christian ficou poucos meses na casa da avó que morava ali perto até seu casamento com Fabiana. 

A casa da rua George Ohm ficou para ser alugada por um tempo, sem sucesso. Então, Odette decidiu voltar a morar ali  e retornar ao convívio com antigos vizinhos e amigos. Nessa volta, Odette aumentou suas queixas de dores com reflexo nas costas – algo que já vinha sentindo desde quando morava no Rio de Janeiro. As dores foram crescendo em intensidade e, meses depois, ao visitar sobrinhos em Ribeirão Preto, seu sobrinho e médico Rubens a examinou e pediu alguns exames.

Lena a acompanhou e, com os resultados, ele orientou que se buscasse logo um neurologista. E, em 1998, após consulta e mais exames, o veredito foi uma operação urgente para extrair um tumor na base na coluna.

Foram momentos difíceis para a família Miessva no Hospital 9 de Julho. No dia da cirurgia, as três filhas e o neto Christian ficaram ali em vigília durante a cirurgia, que durou oito horas. Nos seus 82 anos, ela resistiu bem, mas teve algumas complicações cardíacas que demandaram transferência para o Hospital do Coração. Foram dias de apreensão e com visitas de filhas, netas e sobrinhas.

A determinação de Odette mais uma vez foi colocada à prova nos meses de sua recuperação – durante dois dias, Vera a levava para a fisioterapia em hospital e nos outros três dias, um fisioterapeuta particular ia na sua casa. Durante meses, a sala foi transformada em quarto e várias cuidadoras passaram por ali. Alguns meses após a cirurgia, em um sábado, Lena chegou para visitar a mãe que preparou uma surpresa:

- Lena, quer ver algo?

E foi subindo a escada devagar, até chegar no andar de cima. As duas se abraçaram e choraram. Então, Odette mostrou mais uma vez seu jeito de ser:

- Então, minha filha, pode tirar a cama da sala, e vamos retomar a vida.

Os anos seguintes foram de muitas viagens e reuniões de família seja para praia de Itamambuca – onde Vera e Enrico recebiam a todos com enorme alegria na gostosa casa na rua 9 (e depois na rua 13) – e para São Carlos – onde Rosely e Luiz Carlos educavam com carinho e muita garra os quatro filhos.

Filhas e netas juntas celebrando dia das mães





terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Novos horizontes, separações e recasamentos

 A década de 1980 começou movimentada. Depois de muitas conversas e tristeza de ambos os lados, Vera e Enrico separaram-se e a casa construída na Granja Viana foi vendida. Em um dia de Natal, logo após almoço na casa dos tios Rui e Tibi, Odette tem um mal estar e Lena a leva para o pronto socorro do Hospital São Luiz que ficava perto. Felizmente, não foi nada sério e segundo o parecer médico, ela deveria se poupar e evitar morar em casa com escadas. Isso significava mudar da rua George Ohm, alugar a casa e procurar um aparamento. 

Assim, Lena e Odette mudaram-se do Brooklin para a Vila Nova Conceição, na rua Eduardo Souza Aranha, bairro com tantas memórias afetivas em contrato de locação firmado pela filha caçula com vinte e poucos anos. Ambas estranharam um pouco no começo a nova moradia. Na primeira noite, Lena contou os passos entre a cozinha e área de serviço - três com folga! Entretanto, como a característica familiar era se adaptar e olhar a metade do copo cheio, viu o lado bom que era estar perto do seu trabalho - tinha iniciado a carreira como jornalista no Pão de Açúcar e a redação do jornal interno Pãozinho ficava na Alameda Lorena, perto da Av. Brig. Luiz Antonio, então sede do Grupo Pão de Açúcar. 

Lena na redação do jornal Pãozinho
As tardes de Odette ficaram mais movimentadas com as visitas do irmão Namá ou de suas visitas ao irmão Rui e cunhada Tibi, que moravam distantes somente um quilômetro. E, passado um tempo, quem vem morar pertinho, no Itaim Bibi?

Após a venda da casa da Granja Viana, Vera Cecília e suas filhas Anna e Paola mudam-se para um apartamento encontrado por Vera em um domingo quando estava na garupa da moto pilotada pela Lena, que tinha conseguido comprar seu primeiro veículo - uma Honda CG 125cc! 

Então, todas as manhãs, Odette acordava cedinho para ficar na janela e acenava para as netas Anna e Paola que tomavam o ônibus na Av. Juscelino Kubistchek para o colégio na Granja Viana. Depois, claro, voltava a dormir, seguindo seu hábito de acordar mais tarde. Os finais de domingos eram reservados para as pizzas com Vera, que voltou a trabalhar em decoração de interiores. A convivência com Enrico seguia normalmente - pois independente de estar separado de Vera Cecília - ele tinha conquistado seu espaço e fazia parte da família.


Anna, Chris e Paola em poses no apartamento da Vera no Itaim Bibi

Em 1984, Christian foi para os Estados Unidos morar com seus tios Ernie e Hela. No jantar de despedida, Lena estava muito triste e Chris achou que era pela sua partida, ao que a Anna explicou:

- Não se preocupe, ela está chateada porque terminou um namoro!

No final do ano, depois de quatro anos e meio trabalhando no Grupo Pão de Açúcar, Lena decide procurar outro emprego e responde a um anúncio publicado na Folha de S. Paulo pois achou que correspondia a todas as exigências: menos de 30 anos, mais de três anos de experiência, disponibilidade para viajar (e como!), disponibilidade para mudar de cidade (por que não?). Então, lá foi o CV enviado com alguns exemplares do jornal interno - para tentar fazer a diferença na hora da seleção. Depois de um processo que teve mais de 70 candidatos, Lena é a escolhida para ser assistente de Comunicação da Souza Cruz. E a boa notícia: pagariam a mudança para o Rio de Janeiro e mais 15 dias de hotel perto do Posto 6, entre Copacabana e Ipanema.

Ainda que soubesse que morar no Rio de Janeiro era um velho sonho de Odette, Lena perguntou se ela queria ir ou ficar em São Paulo, onde estavam suas netas e toda a família. A resposta veio clara, unindo o emocional com o racional:

- Lena, você vai ter viajar bastante, não conhece ninguém lá e vai precisar de uma retaguarda para se dedicar à profissão e ficar tranquila. 

E completou, em mais uma intuição de sua vida:

 - Procure um apartamento que tenha palmeiras e jardim.

A filha caçula riu e respondeu:

- Mas, mãe, onde é que vou achar o apartamento que você está vendo?

Então, em 2 de janeiro de 1985, lá foi a Lena morar no Rio de Janeiro. Como tudo no universo é orquestrado, Enrico nessa época estava morando na Cidade Maravilhosa em um apartamento na Barra da tijuca e trabalhando no centro da cidade como diretor geral da Mido Relógios. 

No primeiro sábado, ela acordou cedo e de táxi foi à procura do apartamento para alugar, de olho no tempo que teria hotel pago pela empresa. Então, era achar ou achar. E não é que encontrou um lugar igualzinho ao descrito pela Odette? 

Uma cobertura pequena no bairro do Leme, e com um jardim grande, com jardineiras com pequenas palmeiras e várias plantas. Duas semanas depois, a mudança organizada por Vera e Odette chegou de São Paulo. Na véspera, as duas viajaram de trem para o Rio de Janeiro. 

Rio de Janeiro conquistou os corações das paulistas

Assim teve início um período gostoso nas vidas de Lena e Odette, com passeios de moto (Odette na garupa!) e depois com o Fiat 147. A cidade tinha tudo a ver com Odette, que logo fez amizades no bairro que parecia uma cidade pequena do interior. Certo sábado, Lena contou no relógio – a volta da praia do Leme até a porta do prédio - cerca de cinco quadras - foram 45 minutos! Andar ao lado de Odette era assim mesmo - ela parava para conversar com todos os comerciantes da rua e com amigos na agência bancária do Bradesco onde tinha conta bancária. Ficou até amiga do dr. Sylla, dono do apartamento, que fazia visitas regadas a café e prosa.  Enquanto isso, Lena tinha namorados e criava amizades duradouras.  

Em 1986, uma data especial foi celebrada com bela festa com filhas, genros, irmãos, irmãs, cunhadas e sobrinhos, ao lado de amigos de longa data. Eram os 70 de Odette e os 30 anos de Lena - celebrando a diferença de 40 anos, idade que Odette tinha ao ter a filha caçula. 

70 anos de Odette, 30 anos de Lena

Foram vários finais de ano passados na praia de Copacabana, de férias de verão com as crianças de Rosely e Luiz Carlos - Octávio, Bia, Olívia e Felipe - e com Anna e Paola, que tomavam o ônibus na Barra da Tijuca e iam sozinhas visitar a avó. 

Odette viajava também com frequência para São Paulo e, em contrapartida, irmãs e sobrinhos passavam alguns dias no gostoso apartamento. Ali, Rosely celebrou seus 40 anos. Ali, Enrico e Vera voltaram a namorar e ele retornou para morar em São Paulo e recasar com a Vera, em uma bela festa. Ali, a neta Olivia quando adolescente, chegava de ônibus vindo de São Carlos, para passar férias com a avó, que a buscava na rodoviária. Ali, Lena mudou de emprego e trabalhou cinco anos e meio na Bayer, no Complexo Industrial em Belford Roxo e conheceu a baixada fluminense como poucos cariocas. Na empresa alemã, aprendeu o conceito de Relações Comunitárias e criou projetos como A Escola vai à Bayer e estabeleceu relacionamentos da empresa com associações de moradores de bairro em Nova Iguaçu, São João do Meriti e a própria Belford Roxo.     


Odette e a irmã Olga na cobertura, sempre rindo

Dali, depois de alguns anos, Odette seguia de ônibus na estrada Rio-Santos para visitar a Vera na casa construída na rua 9 da praia de Itamambuca, perto de Ubatuba. Lena retornou para São Paulo em 1992 para trabalhar na Cargill e, mais uma vez, ela e Christian foram morar juntos na casa da Rua George Ohm, 320. Odette retornou em 1995 para morar também no mesmo bairro do Brooklin, perto da casa da irmã Olga.