Em 30 de novembro de 1968, a igreja de São José, no bairro Jardins, em São Paulo, estava lotada. Amigos, familiares, colegas de trabalho. Todos ali para celebrar o casamento de Vera Cecília e Enrico. Vera ainda vivia um tempo de tristeza pela morte da irmã Toy, sua companheira de toda vida. Mas a data já estava marcada há algum tempo e não fazia sentido, segundo Enrico, adiar o que iria acontecer mesmo. Sempre prático e organizado, deve ter ficado nervoso na hora das alianças que esqueceu – seu irmão Gianpaolo tinha ido buscar, mas não chegava e a cerimônia avançava... Então, não teve jeito. Os primos dos grandes amigos Eli e Keila, emprestaram suas alianças, que serviram perfeitamente!
Um pouco antes do segundo casamento na família, foi feita a mudança para a enorme e até um pouco desproporcional casa da Rua João Paes, no Brooklin Velho. Na parte de baixo, além das salas de visita e de jantar, e entrada da garagem para a casa, tinha um quarto e banheiro para Peter e Christian, duas salas de almoço, e no fundo, lavanderia e duas salas. A casa tinha entradas laterais pequenas e independentes. Em uma sala, foi montado o escritório de Ignacio e na outra funcionava o ateliê de costura de Odette. Na parte superior, além do banheiro, havia dois quartos (do casal e da Rosely), e um quarto simplesmente desproporcional – 7 por 6 metros – dividido em quarto da Lena, quarto da Idalina e mais uma área de costura para Odette.
Depois, a recepção para convidados foi oferecida na casa de Dino e Anna Maria Rastelli, na Av. Pavão, de onde Vera e Enrico saíram para o aeroporto de Congonhas rumo ao Rio de Janeiro – cidade que sempre esteve na mira da família e que viria a ser o lar de alguns, décadas mais tarde.
Vera trabalhava no laboratório farmacêutico Ciba Geigy, que ficava pertinho da casa dos pais. E aproveitava a hora do almoço para ver a família e ‘curtir’ o sobrinho. Tudo transcorria bem até um acontecimento trágico abalar e mudar sua vida. No primeiro semestre de 1969, os pais de Enrico sofreram um acidente de carro e sua mãe faleceu. Com 25 anos, Vera perdeu a amiga que tinha lhe mostrado o mundo italiano e assumiu os quatro homens de sua nova família. E, em outubro daquele ano, ela pode entender um pouco mais a alma dos Rastelli, quando foi para sua primeira viagem para Europa com Enrico. Infelizmente, quando estavam em Roma, o avô de Enrico faleceu. Esse período foi difícil para Vera, mas atenuado pela esperada gravidez.
E foi assim que em 25 de novembro de 1970 chega à família uma bela menina com fartos cabelos pretos. Assim que avisados, Odette e Ignacio foram para a Maternidade e Hospital Santa Catarina. Quando chegou e viu o genro Enrico, Odette começou a chorar. Ele a abraçou e disse:
- Está tudo bem, dona Odette. Foi cesárea e elas estão bem.
Odette entrou no quarto florido e abraçou a filha:
- Ah Verinha, Deus te deu uma menininha!
- É, mãe! Ela vai se chamar Annamaria e o Enrico ficou tão contente!
Annamaria iniciou sua vida na família, sempre fazendo companhia ao primo Christian em muitas idas à casa dos avós e em visitas ao Club Pinheiros com os pais ou tios. Naquela casa, Christian começou a engatinhar, dar seus primeiros passos e a vida - como sempre sábia - preparou a família para futuros ciclos. Como o próximo, quando chegou mais uma ruiva na família.



