A chegada ao Brasil trouxe para José e Catarina mais
saudades da distante Polônia, mas eles estavam animados com a vida nova.
Afinal, como tantos outros poloneses que aportavam no País na mesma época,
puderam ter seu pedaço de terra, comprado em prestações dentro do programa do
governo brasileiro para estimular a imigração europeia. O destino final da
viagem foi nos arredores de Curitiba, onde hoje é o conhecido bairro de Santa
Felicidade. Para ali, no final dos anos 1800 e início dos 1900, se dirigiam os
imigrantes de vários países. Muitas araucárias, poucas ruas de terra onde se
ouvia alemão, polonês, italiano.
Para os que moravam no centro de Curitiba,
aquele lugar era conhecido como colônia. Ali foi erguida a igreja que lembrava
a terra distante, com entalhes em madeira. Fazer a certidão de nascimento dos filhos
era tarefa nem sempre fácil, o que acabava gerando confusão nas datas.
José e
Catarina seguiram suas vidas, plantando, colhendo e vendendo os legumes,
principalmente batatas – ingrediente preferido dos pratos poloneses.
- A melhor batata não é a maior. Escolha sempre as batatas
médias para ter um bom prato, ensinava Catarina para suas filhas Gertrude,
Marta e Veronica.
Com José, os filhos Valentim, João, Francisco, Alexandre e
Pedro aprendiam a lida do campo. O caçula Ignacio bem que tentou apreciar do trabalho
na terra, mas isso não o atraía de jeito algum. Gostava de saber mais, de ler,
de descobrir o mundo. Então, seus pais tomaram a decisão que mudaria no futuro
a vida de várias pessoas. Ignácio foi estudar com os padres poloneses na
colônia e, depois aos 12 anos, em Curitiba, no Colégio Henrique Sienkiewicz, e morava ao lado, como pensionista da instituição mantida pela Missão de São Vicente de
Paula.
Ali, ele chegou a ler todos os
livros da biblioteca, em polonês ou português – mais de três mil! – e mantinha
conversas com os professores e com os padres, sempre ouvindo com atenção,
calado. Assim se passaram os anos da
juventude daquele tímido rapaz de olhos claros.
O jovem Ignacio estudava no Colégio Henrique Sienkiewicz, com padres poloneses.



Bom ver papai tão moço! Bom ler seu texto!
ResponderExcluirBom demais acompanhar a história do nosso país pelos registros de quem ajudou a construi-la. Parabéns Lena! Continue a jornada.
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