1975 significou também uma oportunidade para a família se reinventar. Vera Cecília começou a deslanchar sua carreira como designer de interiores depois de curso focado em decoração e artes durante três anos na FAAP. Rosely e Lena ingressaram no Equipe, cursinho para vestibular que ficava no bairro de Bela Vista e era conhecido pelo seu foco em Humanas. Aulas noturnas após o trabalho e shows nos finais de semana como de Gonzaguinha e outros que faziam suas vozes serem ampliadas nos anos difíceis da ditadura. Na época, o primo Ricardo conhecido como Gracinha veio morar meses com elas para se preparar também para o vestibular.
No mesmo período, Rosely conheceu
Luiz Carlos na Atlas Copco, onde trabalhava. Com seu jeito risonho e sempre
disposto a ajudar, conquistou a todos desde o início do namoro.
Ano de 1976 marcou o ingresso de Lena e Rosely no curso superior. Rose entrou no curso de Terapia Ocupacional na Faculdade de Medicina da USP e Lena em Comunicação Social na FIAM, que ficava na Av. Jabaquara. Logo após seu ingresso na faculdade, Lena fez novas amizades iniciadas nas aulas e no já existente grupo de teatro amador Alma. O trio de amigas Joyce, Jô e Lena, se uniu ao diretor Ivo e aos atores Miriam Martinez, Ismael e Denise. No time de apoio, Giacomo e suas fotos, Luciano e seu talento musical, Rui e Ari na sonoplastia e iluminação. Durante os anos que concluíam a década 1970, ao lado de outros colegas que se tornaram amigos do lado esquerdo do peito, formaram uma turma divertida e unida. Viagens para Minas Gerais, festivais de teatro em São Bernardo do Campo, apresentações no TUCA, acampamentos na praia Toque Toque e viagem para Santa Catarina.
Enquanto isto, Odette curtia
netos que cresciam - Anna, Paola e Chris – e ainda ganhou André, Betina e Julia,
filhos do segundo casamento de Peter com Ana Maria, principalmente nos finais
do ano, quando chegavam com gostosos doces natalinos com sabor de gengibre que
ela preparava e embalava com esmero.
A casa da família na rua
George Ohm mantinha-se aberta. Nos aniversários, amigos e familiares chegavam
animados para as reuniões, organizadas na sala e cozinha com extensão no quintal
dos fundos da casa, com o toque especial de Odette que conseguia transformar tudo
em um ambiente alegre.
Mas nem tudo era clima de festa. Ainda que Lena tenha conseguido crédito estudantil do governo federal para custear a faculdade particular e Rose fizesse traduções em paralelo às aulas diuturnas, o orçamento era curto. Então, Odette – que sempre tinha uma solução para os problemas apresentados pela vida, conversou com suas amigas e a solução veio rápido e de forma divertida. Ela tornou-se motorista de crianças, levando e buscando os seus ‘aluninhos’ como chamava, com o Fusca azul. Eram filhos de amigas e outros indicados, como os três japonesinhos que haviam perdido recentemente a mãe e as duas gêmeas que entravam bem cedinho - as sete da manhã. Logo montou um roteiro - de manhã, levava os pequenos do primeiro turno. Aí almoçava às três da tarde. Em alguns dias, quando era possível, Lena acompanhava e as duas se divertiam com o orgulho das crianças em mostrar uma autêntica avó esperando-as na porta das escolas. Talvez uma avó um pouco diferente das avós da época, um pouquinho mais moderna!
Em 1979, Rose e Luiz Carlos contaram que ela estava grávida e de gêmeos! Odette ligou para Irineia, mãe de Luiz Carlos, e as duas - de forma prática e rápida - combinaram os detalhes do casamento civil, celebrado em 13 de junho no salão de festas do prédio onde Luiz Carlos e a mãe residiam. De tarde, Vera fez a decoração do salão com muitas flores brancas. E, no início da noite, ao lado de amigos, primos, tios e tias – foi comemorada a união.
Após o casamento, foram morar em São Carlos onde Rose conseguiu um emprego na Universidade Federal enquanto Luiz Carlos fazia agronomia em Piracicaba. A mudança, providenciada por Renê, irmão dele, foi feita com o apoio de sua avó Elisa e sua tia Zilda. Dias depois, Irineia, Odette e Zilda, lavaram toda a casa. A casa tinha um pé de romã e na frente um jardim um pouco abandonado. Odette foi arrumar o jardim, observada por Irineia:
- Odette, está tudo muito bonito,
mas não é para enfeitar, é para lavar!
Logo, logo, tudo estava
preparado para a chegada dos gêmeos.
O nome
Miessva passa para novas gerações
Em 25 de outubro, com diferença de poucos minutos, em São Carlos,
nasciam os gêmeos Beatriz e Octávio Miessva Acerbi, filhos de Rosely e Luiz
Carlos. Odette estava a postos para ajudar a Rose que nos últimos meses de
gravidez não achava mais posição para dormir. Assim que nasceram, Vera e Lena
foram avisadas e rumaram para São Carlos em uma viagem gostosa em que lembraram o passado – afinal, as duas juntas seriam tias novamente depois de 11 anos. Foram registrados com os sobrenomes Miessva e Acerbi. Assim, o sobrenome polonês abrasileirado passava para a terceira geração.
Nos dias seguintes, a rotina foi tomada por todas as atividades em dobro – dar banho, trocar e ajudar a Rosely nas tarefas. Octávio logo ganhou apelido – era o Tatá - e a Beatriz virou Bia. Depois dos primeiros meses, Lena, que estava temporariamente sem emprego, foi para São Carlos ajudar a jovem família. De manhã cedinho, levava os dois para a pracinha que tinha uma locomotiva. Na época, até tentou cozinhar – tinha aprendido a fazer suflê e entusiasmada, repetiu o cardápio em três noites – cada dia com um ingrediente diferente. Aí, Luiz Carlos, com seu jeito tranquilo, explicou para a cunhada que podia deixar o jantar por sua conta dele. Realmente, cozinha nunca foi o forte da caçula!
Chega mais uma princesa!
A família em São Carlos logo cresceu mais um pouco. No início de julho
de 1981, chegava a Olívia, mais tarde conhecida como Olivinha. E lá foi Odette de novo para
São Carlos. Olívia era uma criança sapeca e um pouco mais levada que os
gêmeos... Tanto assim que ao engatinhar com nove meses, foi até a cozinha e bebeu detergente como se fosse
mamadeira e precisou ficar internada um dia e meio!
E, finalmente, chega o caçula da família!
Em 27 de agosto de 1983, nascia o caçula da
família. Caçula dos netos e das tias Lena e Vera. E lá foi a Odette de
novo para São Carlos. Dessa vez, ao chegar, Rosely já estava na maternidade e
ela ficou com as crianças. Octavio e Beatriz contraíram catapora justo nesse
dia. A família de Rosely e Luiz Carlos estava completa. Quatro filhos, quatro
diferentes pilares – como costumava dizer Ignácio quando se referia às quatro
filhas. A casa dessa família muito unida tornou-se um local sempre com muita
alegria – crianças, brincadeiras, pizzas feitas por Luiz Carlos, acompanhadas de cerveja
e muitas conversas na cozinha.
Enquanto isso, Christian crescia e tomava novos rumos morando por
meses com tios nos Estados Unidos. Em São Paulo, Anna e Paola viviam as descobertas da adolescência
com mudanças na família Rastelli.




Muito fofa a tia Lena
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