domingo, 21 de junho de 2020

Casamento de faz de conta - agora eu era o marido!


Entre o final dos anos 1940 e início dos anos 1960, a casa da Av. Santo Amaro, 347 marcou a vida de muitas pessoas na família e de amigos. Era um tempo em que as carnes e os frios eram comprados na Casa Prata, fundada por Rubens Caporal em 1949 que era um açougue, e logo se transformou em uma loja de delicatessen e depois como importadora de vinhos, uma quadra distante dali. Os pães eram buscados na padaria Los Angeles, do sr. Gonçalves, logo na esquina. 
As pessoas andavam pela avenida – hoje totalmente irreconhecível – para passear e fazer compras nas poucas lojas. E no início de 1957, surgiria ali perto uma loja trazendo um conceito americano de fazer compras – o supermercado Peg Pag – na rua Joaquim Floriano.
Foi também um tempo de muitas mudanças na família Miessva. Tempo em que Vera Cecília foi morar alguns meses com seus avós em Garça, quando tinha seis anos. Anos depois, a irmã Antonia Maria – a Toy – iria para o colégio interno também em Garça, de freiras alemãs – o Ginásio Santo Antonio. No ano seguinte, seria a vez da Vera Cecília ir também para o internato. E na distante Garça, as duas viveriam histórias divertidas e outras nem tanto. Como quando as freiras serviram cerveja para as alunas experimentarem. E como a maioria delas detestou o sabor, Toy tomou a cerveja de todas as colegas e subiu em uma mesa para fazer um discurso em seu aniversário prá lá de entusiasmado!  
Ou quando Vera colocou talco dentro da blusa e quando a freira chegou, ela bateu no peito e o talco voou para tudo quanto é lado! 
Tempo em que as cartas trocadas entre a mãe e as meninas eram lidas pela madre Sofia, superiora do colégio, que sempre acrescentava um comentário. 
A casa da Avenida Santo Amaro abrigou sobrinhos, sobrinhas, cunhadas, cunhados, que ali viveram por meses, em períodos diferentes. Esta sempre foi uma premissa da família Miessva – se um parente ou um amigo necessitasse de abrigo por um tempo, Ignacio ou Odette ofereciam um canto e todo mundo se ajeitava. 
Em uma destas vezes, o irmão Rui foi com sua mulher Tibi e o filho mais velho também chamado de Rui, mas com o apelido familiar Tuta. Depois dessa temporada, se mudaram para Perus, onde nasceria Ricardo – conhecido na família como Gracinha ou Graça. 
Também ali moraram o irmão Maximiliano – conhecido como Namá - e sua mulher Lucila, com o filho Max. 
Os encontros em família eram divertidos, mas, claro, em algumas ocasiões com brigas ao estilo um pouco espanhol de ser de Odette. Ainda que fosse divertida, solidária e prestativa, também era brava e às vezes não era nada fácil conviver com ela... 
Agora eu era marido
Enfim, sempre havia movimento, alegria e diversão. Como quando Namá, sempre brincalhão, vestiu um penoir preto de Odette para ser o padre. Na garagem, foi montado um altar com alguns móveis para ele fazer o casamento do Tuta e Rosely, primos que sempre brincavam juntos e que tinham a mesma idade - cerca de seis anos. 
Tuta entrou e ficou esperando Rosely que entrou de noiva, com um buque pequeno de flores. Todos cantaram a marcha nupcial e o Namá, depois do sermão tradicional de padre, sorriu e disse: “Então vocês estão casados, parabéns!” Em seguida, foi feito um lanche para todos. 
No final da tarde, depois de Namá e Lucila irem embora, foi a vez de Ruy, Tibi e Tuta se despedirem. E o Tuta, sério, virou para os pais e tios e disse que a Rosely também iria: 
- Afinal, ela é minha mulher, eu casei com ela!
Diante da negativa, começou a chorar, seguido pela Rosely. E continuou enfatizando: 
- Meu pai mora com minha mãe, tio Namá com tia Lucila, tio Ignacio com tia Odette. Eu casei com a Rosely, então tenho que levar ela para morar comigo. 
Os pais conversaram e acharam que seria melhor que a Rosely fosse junto para ficar uns dias em Perus. Mas, como eram pequenos e tudo na vida passa rápido, ela ficou chorando de saudades na casa dos tios, que logo, logo, tiveram que devolver a noiva do filho! 
A chegada do supermercado no bairro


                                                                                                          

Carta de Toy aos pais em 12 de maio de 1954.

Nenhum comentário:

Postar um comentário