segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Chegada celebrada

Em dezembro de 1967, Ignacio e Odette completaram 25 anos de casados, celebrados com uma missa na Igreja São Dimas na Vila Nova Conceição. Depois, houve o almoço para as filhas na casa da Toy e do Peter, no Brooklin, na rua Pascoal Paes. Lena escreveu um texto para homenagear os pais e Odette recebeu do marido como presente um pequeno livreto, em que ele descreveu a sua jornada de vida como se fosse uma viagem de trem, lembrando ainda momentos especiais desde que se conheceram.

Ignacio e suas meninas

Naquele dezembro, certa tarde, Odette estava trabalhando no escritório do marido quando recebeu a visita da Toy. Sorrindo, ela entra com dois picolés, entrega um deles para a mãe ao abraçá-la e começa uma conversa animada:

- Mãe, eu tenho a melhor notícia que a senhora poderia ter na vida!

- Ora, Toy, o que é?

- A senhora vai ganhar o neto que tanto queria!

- Ah, Toy, mas que bom! E você está bem, minha filha?

- Sim, eu estou ótima! Eu fui ao médico e está tudo bem. O Peter está contente e eu estou muito, muito contente, mamãe!

- Então, você vai fazer tudo o que o médico mandar, está bem?

- Pode deixar comigo, que eu vou me cuidar.

Os meses passaram e a expectativa só crescia.  Em outra tarde, Toy foi ao escritório com um vestido de grávida bem curtinho. E sua mãe não deixou passar em branco sem um comentário!

- Toy, não está bem esse vestido curto, roxo, e você grávida! Não combina!

- Mamãe, você está muito fora de época! Agora, as grávidas usam estes vestidos soltos e curtos.

- Quero ver isto no inverno!

- Aí vamos pensar, né?

Junho chegou com frio e Toy continuou com bom humor, trabalhando  como secretária na Kibon até o final da gravidez. A escolha do enxoval também teve a participação da Odette. Juntas, foram em uma loja na Av. Santo Amaro e escolheram rendinhas para a manta de lã amarela, com bordados. E ainda muitos conjuntos de camisas tipo pagão em uma época sem os práticos macacões infantis ainda não tinham sido inventados.

Certo dia, Toy ligou para a mãe, comentando que teve um sonho e que seu filho se chamaria Christian. Peter, sempre brincalhão, dizia que o filho ia se chamar xaxim e trabalharia com orquídeas, como ele. Quando ela foi comprar o carrinho e o berço, pediu novamente a ajuda da mãe, que – direta como era - respondeu de bate pronto:

-   Olha, Toy, se você está pensando que eu vou ajudar a criar o seu filho, você está enganada!  Isso é sua responsabilidade.

Na loja, rindo, ela pediu para o vendedor ensinar a mãe a lidar com o carrinho azul, como se suspendia a capota dele e como se regulava a altura do berço.

Para celebrar um ano de casamento, Toy estava preparando uma festinha para família, mas não deu tempo. Na manhã do dia 7 de julho – exatamente um ano após o seu casamento, tocou o telefone na rua João Lourenço.  Ignácio atende e acorda sua mulher:

-    Odette, levanta, que a Toy já está no hospital com o Peter.

Eles foram para o Hospital São Luiz, ali perto. Peter estava sozinho na sala de espera e explica aos sogros que estava tudo correndo bem. Então, entra a enfermeira e dá a notícia: é um menino!

Odette começou a chorar e o Peter a abraçou, sorrindo e dizendo:

-   Fique contente, o Christian chegou!

Depois das visitas das irmãs e do tempo recomendado pelo médico, ela teve alta e foi para casa. Mas, uma semana depois, com febre alta, ela foi para a casa dos pais, para cuidarem do bebê e dar uma assistência mais próxima. De noite, teve uma forte crise de frio. A ambulância foi chamada e ela voltou para o Hospital São Luiz.

Após alguns exames, o médico chamou Peter e disse que o problema era grave. Os dias foram passando, com mais exames, médicos e visitas de todos da família. Certa tarde, Odette levou o Christian para Toy vê-lo. Na saída, um enfermeiro se aproximou dela e disse sério:

-   Dna, Odette, a senhora pode contar com a gente.

Nesta hora, ela teve a certeza que a situação da saúde da filha mais velha era mesmo muito grave do que todos pensavam.


 

 


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