domingo, 7 de fevereiro de 2021

Partidas e chegadas, ou vice-versa

Em dezembro de 1999, na casa de Odette – que já morava no Morumbi, perto das filhas Lena e Vera, Chris e sua esposa Fabiana anunciaram a chegada de seu filho e que haviam escolhido a tia Lena como madrinha. Choro e emoção em meio a sorrisos e abraços.

Dias depois, mais emoção na virada do ano 1999 para 2000 marcada pela reunião das famílias Rastelli e Miessva. Todos foram para a praia de Itamambuca, em Ubatuba. Na então casa nova da Vera e Enrico, na rua 13, ficaram Lena e seu marido, Odette e Paola, Anna – grávida de quase oito meses, e seu marido Lauro. Na casa da rua 9, ficaram hospedados os irmãos do Enrico, Gianpaolo e Marco, com suas famílias, Rosely e Luiz Carlos e sua família.

Três irmãos e três irmãs, maridos, esposas, filhos e filhas, sobrinhos e muito movimento. Todos vestidos com camisetas brancas com o ano 2000 em dourado, dadas por Enrico e Vera. Por volta de dez horas, há um acidente em um transformador na rua e...foi-se a luz

Preparo para Ano 2000

Improvisação para organizar a ceia na sacada da frente, brincadeiras de Gianpaolo e Enrico, muita confusão e alegria. Odette se recuperava bem do tumor, que limitou sua mobilidade, mas não a impedia de brincar e rir, orgulhosa da festa organizada pela Verinha.

O ano 2000 trouxe a partida de Peter, de forma precoce, aos 58 anos, deixando sua mulher Ana Maria e, além de Chris, os filho Betina, André e Júlia. Não ouviríamos mais suas risadas nem teríamos suas brincadeiras – ainda que às vezes um pouco impertinentes. A preocupação de Odette e filhas era que ele não tivesse tido tempo para compartilhar com o filho Chris a sua história com a Toy. Ao longo de sua vida, falar dela era muito difícil, senão impossível. Ao chegar no velório, Chris contou à sua tia Lena que semanas antes eles haviam tido uma conversa e Peter contou enfim a história de amor, dor e de realização – afinal, estava ali a concretização daquela união - um homem que em breve também seria pai e descobriria que o ato de amar um filho é interminável! 

Peter e Julia, sua filha caçula


A década final dos anos 1990 e os primeiros anos do novo século trouxeram também a perda de muitos tios e tias da família Aguirre, com momentos de compartilhamento de lembranças, risos, choros e abraços entre primos no cemitério do Araçá.

Chegada da princesinha Luisa

Enquanto os mais velhos partiam, chegavam os integrantes da quarta geração. Em 7 de fevereiro de 2001, é a vez da primeira da quarta geração – Luisa Rastelli Lapa, na mesma maternidade São Luiz em que Toy deu à luz ao Christian, a primeira das pequenas princesas da geração da família paterna Lapa e a primeira neta de Enrico e Vera.

No bairro da Vila Nova Conceição, berço do crescimento da família Miessva, foi saudada pelas mulheres da família Odette, Vera e a mãe Anna. Foi um dia de alegria e de alívio da tensão para que tudo corresse bem naquele parto.  

E a pequena Luisa começou mostrar a que veio – ocupando espaço com suas brincadeiras nos almoços de domingo na casa de Vera e Enrico, nas idas para a praia de Itamambuca com os avós e nos passeios com o nonno. 

Odette e a bisneta Luisa

 


As mulheres da família em 2001, 
com Paola deitada por problema na coluna 
que seria operada naquele ano


segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Volta para boa e velha Sampa

No início dos anos 1990, com governo Collor, inflação descontrolada, sem novos desafios profissionais e ainda que gostasse da empresa onde trabalhava, Lena decidiu voltar para São Paulo e Odette resolveu ficar no Rio de Janeiro. A busca de novo emprego era feita semanalmente, quando a sobrinha Annamaria mandava o caderno de classificados do Estadão pelo correio. Na mesma época, Christian decidiu sair da casa dos pais. Então, por que não tia e sobrinho morarem juntos mais uma vez?

Para viabilizar a manutenção de duas residências, o melhor seria voltar à casa da rua George Ohm. Para tal, Vera e Odette se encarregaram pessoalmente da conversa com o então inquilino.

Foi assim que no segundo semestre de 1991, Christian se muda para ali com poucos móveis. E, em março de 1992, Lena é aprovada para assumir a gerência de comunicação na empresa de agronegócio Cargill.

A mudança para São Paulo foi feita em dois carros, com a ajuda de Christian e amigos e a sobrinha Paola – apenas roupas, livros, discos, uma estante e nada mais, parodiando uma velha canção.

Logo na primeira semana, a prima Idaicy deu sua antiga cama de casal e Chris ganhou dos pais uma estante e um mural de couro para a sala. Lena comprou televisão e um aparelho de vídeo, geladeira, máquina de lavar e fogão. Chris ajudava a pendurar quadros ou resolver problemas caseiros com martelo e prego que, segundo ele, eram muito práticos para qualquer problema caseiro!

Eric, primo do Christian, veio morar ali por alguns meses antes de casar, dividindo um quarto com Eduardo, amigo do Christian. E as doações para a montagem da casa continuaram, algumas feitas por Cristina – tia do Chris por parte de pai – que desmontou um apartamento. Foram várias viagens do Morumbi para o Brooklin, com entusiasmo pela dupla Lena e Chris.

Então, Lena decidiu reformar a casa – tarefa que ficou sob a responsabilidade da Vera Cecília, que ali também montou o seu ateliê de pintura.

Christian teve o quarto que sempre sonhou – feito para o seu tamanho – com uma cama alta, em que ele podia sentar e balançar os pés! E um banheiro com pia para sua altura. Logo, chegou também o cachorro Nero, que fez companhia para os dois e a alegria de quem ali chegasse para um almoço no final de semana ou uma hospedagem depois de uma festa.


Chris e Lena com Nero


Em 1995, depois da volta de Odette para São Paulo, aconteceu o primeiro casamento da segunda geração - Anna casa-se com Lauro, seu primeiro e único namorado, em uma bela festa com primos e tios.

Encontro de tios e primos 
no casamento da Anna e Lauro

Em 1996, Enrico deu de presente para a sogra Odette – que o considerava como filho – uma viagem para a Europa. Mais uma vez, ela mostrou coragem, viajando sozinha para Paris, onde iria se encontrar com a filha e o genro. 


Odette e Enrico em Paris

Ali, Vera mostrou a cidade das luzes para a mãe – andando de metrô e a pé. Certa tarde, Odette comentou com a filha: 

- Vera, quanto custa um táxi aqui? Eu pago, minha filha. Trouxe dinheiro! 

Quando chegaram no Palácio Versailles, novamente seu comentário mostrou como pensava o mundo:

- Verinha, é bonito, mas podiam asfaltar essas pedras. Seria melhor para andar...

Com carro alugado, foram para a Itália, onde Odette conviveu com alguns parentes da Vera, e para a Suiça – onde o comentário da mãe mostrou suas origens de fazenda paulista:

- Mas, minha filha, as vacas daqui têm cada ubre grande!

Nesse mesmo ano, foi a vez de Lena e Chris partirem novamente para caminhos separados - primeiro Lena e o namorado foram morar juntos em uma casa no Alto de Pinheiros, levando o cachorro Nero. Em seguida, Christian ficou poucos meses na casa da avó que morava ali perto até seu casamento com Fabiana. 

A casa da rua George Ohm ficou para ser alugada por um tempo, sem sucesso. Então, Odette decidiu voltar a morar ali  e retornar ao convívio com antigos vizinhos e amigos. Nessa volta, Odette aumentou suas queixas de dores com reflexo nas costas – algo que já vinha sentindo desde quando morava no Rio de Janeiro. As dores foram crescendo em intensidade e, meses depois, ao visitar sobrinhos em Ribeirão Preto, seu sobrinho e médico Rubens a examinou e pediu alguns exames.

Lena a acompanhou e, com os resultados, ele orientou que se buscasse logo um neurologista. E, em 1998, após consulta e mais exames, o veredito foi uma operação urgente para extrair um tumor na base na coluna.

Foram momentos difíceis para a família Miessva no Hospital 9 de Julho. No dia da cirurgia, as três filhas e o neto Christian ficaram ali em vigília durante a cirurgia, que durou oito horas. Nos seus 82 anos, ela resistiu bem, mas teve algumas complicações cardíacas que demandaram transferência para o Hospital do Coração. Foram dias de apreensão e com visitas de filhas, netas e sobrinhas.

A determinação de Odette mais uma vez foi colocada à prova nos meses de sua recuperação – durante dois dias, Vera a levava para a fisioterapia em hospital e nos outros três dias, um fisioterapeuta particular ia na sua casa. Durante meses, a sala foi transformada em quarto e várias cuidadoras passaram por ali. Alguns meses após a cirurgia, em um sábado, Lena chegou para visitar a mãe que preparou uma surpresa:

- Lena, quer ver algo?

E foi subindo a escada devagar, até chegar no andar de cima. As duas se abraçaram e choraram. Então, Odette mostrou mais uma vez seu jeito de ser:

- Então, minha filha, pode tirar a cama da sala, e vamos retomar a vida.

Os anos seguintes foram de muitas viagens e reuniões de família seja para praia de Itamambuca – onde Vera e Enrico recebiam a todos com enorme alegria na gostosa casa na rua 9 (e depois na rua 13) – e para São Carlos – onde Rosely e Luiz Carlos educavam com carinho e muita garra os quatro filhos.

Filhas e netas juntas celebrando dia das mães





terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Novos horizontes, separações e recasamentos

 A década de 1980 começou movimentada. Depois de muitas conversas e tristeza de ambos os lados, Vera e Enrico separaram-se e a casa construída na Granja Viana foi vendida. Em um dia de Natal, logo após almoço na casa dos tios Rui e Tibi, Odette tem um mal estar e Lena a leva para o pronto socorro do Hospital São Luiz que ficava perto. Felizmente, não foi nada sério e segundo o parecer médico, ela deveria se poupar e evitar morar em casa com escadas. Isso significava mudar da rua George Ohm, alugar a casa e procurar um aparamento. 

Assim, Lena e Odette mudaram-se do Brooklin para a Vila Nova Conceição, na rua Eduardo Souza Aranha, bairro com tantas memórias afetivas em contrato de locação firmado pela filha caçula com vinte e poucos anos. Ambas estranharam um pouco no começo a nova moradia. Na primeira noite, Lena contou os passos entre a cozinha e área de serviço - três com folga! Entretanto, como a característica familiar era se adaptar e olhar a metade do copo cheio, viu o lado bom que era estar perto do seu trabalho - tinha iniciado a carreira como jornalista no Pão de Açúcar e a redação do jornal interno Pãozinho ficava na Alameda Lorena, perto da Av. Brig. Luiz Antonio, então sede do Grupo Pão de Açúcar. 

Lena na redação do jornal Pãozinho
As tardes de Odette ficaram mais movimentadas com as visitas do irmão Namá ou de suas visitas ao irmão Rui e cunhada Tibi, que moravam distantes somente um quilômetro. E, passado um tempo, quem vem morar pertinho, no Itaim Bibi?

Após a venda da casa da Granja Viana, Vera Cecília e suas filhas Anna e Paola mudam-se para um apartamento encontrado por Vera em um domingo quando estava na garupa da moto pilotada pela Lena, que tinha conseguido comprar seu primeiro veículo - uma Honda CG 125cc! 

Então, todas as manhãs, Odette acordava cedinho para ficar na janela e acenava para as netas Anna e Paola que tomavam o ônibus na Av. Juscelino Kubistchek para o colégio na Granja Viana. Depois, claro, voltava a dormir, seguindo seu hábito de acordar mais tarde. Os finais de domingos eram reservados para as pizzas com Vera, que voltou a trabalhar em decoração de interiores. A convivência com Enrico seguia normalmente - pois independente de estar separado de Vera Cecília - ele tinha conquistado seu espaço e fazia parte da família.


Anna, Chris e Paola em poses no apartamento da Vera no Itaim Bibi

Em 1984, Christian foi para os Estados Unidos morar com seus tios Ernie e Hela. No jantar de despedida, Lena estava muito triste e Chris achou que era pela sua partida, ao que a Anna explicou:

- Não se preocupe, ela está chateada porque terminou um namoro!

No final do ano, depois de quatro anos e meio trabalhando no Grupo Pão de Açúcar, Lena decide procurar outro emprego e responde a um anúncio publicado na Folha de S. Paulo pois achou que correspondia a todas as exigências: menos de 30 anos, mais de três anos de experiência, disponibilidade para viajar (e como!), disponibilidade para mudar de cidade (por que não?). Então, lá foi o CV enviado com alguns exemplares do jornal interno - para tentar fazer a diferença na hora da seleção. Depois de um processo que teve mais de 70 candidatos, Lena é a escolhida para ser assistente de Comunicação da Souza Cruz. E a boa notícia: pagariam a mudança para o Rio de Janeiro e mais 15 dias de hotel perto do Posto 6, entre Copacabana e Ipanema.

Ainda que soubesse que morar no Rio de Janeiro era um velho sonho de Odette, Lena perguntou se ela queria ir ou ficar em São Paulo, onde estavam suas netas e toda a família. A resposta veio clara, unindo o emocional com o racional:

- Lena, você vai ter viajar bastante, não conhece ninguém lá e vai precisar de uma retaguarda para se dedicar à profissão e ficar tranquila. 

E completou, em mais uma intuição de sua vida:

 - Procure um apartamento que tenha palmeiras e jardim.

A filha caçula riu e respondeu:

- Mas, mãe, onde é que vou achar o apartamento que você está vendo?

Então, em 2 de janeiro de 1985, lá foi a Lena morar no Rio de Janeiro. Como tudo no universo é orquestrado, Enrico nessa época estava morando na Cidade Maravilhosa em um apartamento na Barra da tijuca e trabalhando no centro da cidade como diretor geral da Mido Relógios. 

No primeiro sábado, ela acordou cedo e de táxi foi à procura do apartamento para alugar, de olho no tempo que teria hotel pago pela empresa. Então, era achar ou achar. E não é que encontrou um lugar igualzinho ao descrito pela Odette? 

Uma cobertura pequena no bairro do Leme, e com um jardim grande, com jardineiras com pequenas palmeiras e várias plantas. Duas semanas depois, a mudança organizada por Vera e Odette chegou de São Paulo. Na véspera, as duas viajaram de trem para o Rio de Janeiro. 

Rio de Janeiro conquistou os corações das paulistas

Assim teve início um período gostoso nas vidas de Lena e Odette, com passeios de moto (Odette na garupa!) e depois com o Fiat 147. A cidade tinha tudo a ver com Odette, que logo fez amizades no bairro que parecia uma cidade pequena do interior. Certo sábado, Lena contou no relógio – a volta da praia do Leme até a porta do prédio - cerca de cinco quadras - foram 45 minutos! Andar ao lado de Odette era assim mesmo - ela parava para conversar com todos os comerciantes da rua e com amigos na agência bancária do Bradesco onde tinha conta bancária. Ficou até amiga do dr. Sylla, dono do apartamento, que fazia visitas regadas a café e prosa.  Enquanto isso, Lena tinha namorados e criava amizades duradouras.  

Em 1986, uma data especial foi celebrada com bela festa com filhas, genros, irmãos, irmãs, cunhadas e sobrinhos, ao lado de amigos de longa data. Eram os 70 de Odette e os 30 anos de Lena - celebrando a diferença de 40 anos, idade que Odette tinha ao ter a filha caçula. 

70 anos de Odette, 30 anos de Lena

Foram vários finais de ano passados na praia de Copacabana, de férias de verão com as crianças de Rosely e Luiz Carlos - Octávio, Bia, Olívia e Felipe - e com Anna e Paola, que tomavam o ônibus na Barra da Tijuca e iam sozinhas visitar a avó. 

Odette viajava também com frequência para São Paulo e, em contrapartida, irmãs e sobrinhos passavam alguns dias no gostoso apartamento. Ali, Rosely celebrou seus 40 anos. Ali, Enrico e Vera voltaram a namorar e ele retornou para morar em São Paulo e recasar com a Vera, em uma bela festa. Ali, a neta Olivia quando adolescente, chegava de ônibus vindo de São Carlos, para passar férias com a avó, que a buscava na rodoviária. Ali, Lena mudou de emprego e trabalhou cinco anos e meio na Bayer, no Complexo Industrial em Belford Roxo e conheceu a baixada fluminense como poucos cariocas. Na empresa alemã, aprendeu o conceito de Relações Comunitárias e criou projetos como A Escola vai à Bayer e estabeleceu relacionamentos da empresa com associações de moradores de bairro em Nova Iguaçu, São João do Meriti e a própria Belford Roxo.     


Odette e a irmã Olga na cobertura, sempre rindo

Dali, depois de alguns anos, Odette seguia de ônibus na estrada Rio-Santos para visitar a Vera na casa construída na rua 9 da praia de Itamambuca, perto de Ubatuba. Lena retornou para São Paulo em 1992 para trabalhar na Cargill e, mais uma vez, ela e Christian foram morar juntos na casa da Rua George Ohm, 320. Odette retornou em 1995 para morar também no mesmo bairro do Brooklin, perto da casa da irmã Olga.  


quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Preparo para novos rumos

1975 significou também uma oportunidade para a família se reinventar. Vera Cecília começou a deslanchar sua carreira como designer de interiores depois de curso focado em decoração e artes durante três anos na FAAP. Rosely e Lena ingressaram no Equipe, cursinho para vestibular que ficava no bairro de Bela Vista e era conhecido pelo seu foco em Humanas. Aulas noturnas após o trabalho e shows nos finais de semana como de Gonzaguinha e outros que faziam suas vozes serem ampliadas nos anos difíceis da ditadura. Na época, o primo Ricardo conhecido como Gracinha veio morar meses com elas para se preparar também para o vestibular.

No mesmo período, Rosely conheceu Luiz Carlos na Atlas Copco, onde trabalhava. Com seu jeito risonho e sempre disposto a ajudar, conquistou a todos desde o início do namoro.

Ano de 1976 marcou o ingresso de Lena e Rosely no curso superior. Rose entrou no curso de Terapia Ocupacional na Faculdade de Medicina da USP e Lena em Comunicação Social na FIAM, que ficava na Av. Jabaquara.  Logo após seu ingresso na faculdade, Lena fez novas amizades iniciadas nas aulas e no já existente grupo de teatro amador Alma. O trio de amigas Joyce, Jô e Lena, se uniu ao diretor Ivo e aos atores Miriam Martinez, Ismael e Denise. No time de apoio, Giacomo e suas fotos, Luciano e seu talento musical, Rui e Ari na sonoplastia e iluminação. Durante os anos que concluíam a década 1970, ao lado de outros colegas que se tornaram amigos do lado esquerdo do peito, formaram uma turma divertida e unida. Viagens para Minas Gerais, festivais de teatro em São Bernardo do Campo, apresentações no TUCA, acampamentos na praia Toque Toque e viagem para Santa Catarina. 


Grupo Alma na estreia na FIAM em 1976

Enquanto isto, Odette curtia netos que cresciam - Anna, Paola e Chris – e ainda ganhou André, Betina e Julia, filhos do segundo casamento de Peter com Ana Maria, principalmente nos finais do ano, quando chegavam com gostosos doces natalinos com sabor de gengibre que ela preparava e embalava com esmero.

A casa da família na rua George Ohm mantinha-se aberta. Nos aniversários, amigos e familiares chegavam animados para as reuniões, organizadas na sala e cozinha com extensão no quintal dos fundos da casa, com o toque especial de Odette que conseguia transformar tudo em um ambiente alegre.

Mas nem tudo era clima de festa. Ainda que Lena tenha conseguido crédito estudantil do governo federal para custear a faculdade particular e Rose fizesse traduções em paralelo às aulas diuturnas, o orçamento era curto. Então, Odette – que sempre tinha uma solução para os problemas apresentados pela vida, conversou com suas amigas e a solução veio rápido e de forma divertida. Ela tornou-se motorista de crianças, levando e buscando os seus ‘aluninhos’ como chamava, com o Fusca azul. Eram filhos de amigas e outros indicados, como os três japonesinhos que haviam perdido recentemente a mãe e as duas gêmeas que entravam bem cedinho - as sete da manhã. Logo montou um roteiro - de manhã, levava os pequenos do primeiro turno. Aí almoçava às três da tarde. Em alguns dias, quando era possível, Lena acompanhava e as duas se divertiam com o orgulho das crianças em mostrar uma autêntica avó esperando-as na porta das escolas. Talvez uma avó um pouco diferente das avós da época, um pouquinho mais moderna!

Em 1979, Rose e Luiz Carlos contaram que ela estava grávida e de gêmeos! Odette ligou para Irineia, mãe de Luiz Carlos, e as duas - de forma prática e rápida - combinaram os detalhes do casamento civil, celebrado em 13 de junho no salão de festas do prédio onde Luiz Carlos e a mãe residiam. De tarde, Vera fez a decoração do salão com muitas flores brancas. E, no início da noite, ao lado de amigos, primos, tios e tias – foi comemorada a união. 

Após o casamento, foram morar em São Carlos onde Rose conseguiu um emprego na Universidade Federal enquanto Luiz Carlos fazia agronomia em Piracicaba. A mudança, providenciada por Renê, irmão dele, foi feita com o apoio de sua avó Elisa e sua tia Zilda. Dias depois, Irineia, Odette e Zilda, lavaram toda a casa. A casa tinha um pé de romã e na frente  um jardim um pouco abandonado. Odette foi arrumar o jardim, observada por Irineia:

- Odette, está tudo muito bonito, mas não é para enfeitar, é para lavar!

Logo, logo, tudo estava preparado para a chegada dos gêmeos.

O nome Miessva passa para novas gerações

Em 25 de outubro, com diferença de poucos minutos, em São Carlos, nasciam os gêmeos Beatriz e Octávio Miessva Acerbi, filhos de Rosely e Luiz Carlos. Odette estava a postos para ajudar a Rose que nos últimos meses de gravidez não achava mais posição para dormir. Assim que nasceram, Vera e Lena foram avisadas e rumaram para São Carlos em uma viagem gostosa em que lembraram o passado – afinal, as duas juntas seriam tias novamente depois de 11 anos. Foram registrados com os sobrenomes Miessva e Acerbi. Assim, o sobrenome polonês abrasileirado passava para a terceira geração.

Nos dias seguintes, a rotina foi tomada por todas as atividades em dobro – dar banho, trocar e ajudar a Rosely nas tarefas. Octávio logo ganhou apelido – era o Tatá - e a Beatriz virou Bia. Depois dos primeiros meses, Lena, que estava temporariamente sem emprego, foi para São Carlos ajudar a jovem família. De manhã cedinho, levava os dois para a pracinha que tinha uma locomotiva. Na época, até tentou cozinhar – tinha aprendido a fazer suflê e entusiasmada, repetiu o cardápio em três noites – cada dia com um ingrediente diferente. Aí, Luiz Carlos, com seu jeito tranquilo, explicou para a cunhada que podia deixar o jantar por sua conta dele. Realmente, cozinha nunca foi o forte da caçula!


Tia Lena feliz com gêmeos Bia e Tatá

Chega mais uma princesa!

A família em São Carlos logo cresceu mais um pouco. No início de julho de 1981, chegava a Olívia, mais tarde conhecida como Olivinha. E lá foi Odette de novo para São Carlos. Olívia era uma criança sapeca e um pouco mais levada que os gêmeos... Tanto assim que ao engatinhar com nove meses, foi até a cozinha e bebeu detergente como se fosse mamadeira e precisou ficar internada um dia e meio!


Natal de 1981 com pequena Olívia e sua linda mãe


E, finalmente, chega o caçula da família!

Em 27 de agosto de 1983, nascia o caçula da família. Caçula dos netos e das tias Lena e Vera. E lá foi a Odette de novo para São Carlos. Dessa vez, ao chegar, Rosely já estava na maternidade e ela ficou com as crianças. Octavio e Beatriz contraíram catapora justo nesse dia. A família de Rosely e Luiz Carlos estava completa. Quatro filhos, quatro diferentes pilares – como costumava dizer Ignácio quando se referia às quatro filhas. A casa dessa família muito unida tornou-se um local sempre com muita alegria – crianças, brincadeiras, pizzas feitas por Luiz Carlos, acompanhadas de cerveja e muitas conversas na cozinha.



Enquanto isso, Christian crescia e tomava novos rumos morando por meses com tios nos Estados Unidos. Em São Paulo, Anna e Paola viviam as descobertas da adolescência com mudanças na família Rastelli.

 

 

  

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

A caminho de dancing days

Os anos iniciais da década de 1970 marcaram mais chegadas para a família Miessva. Depois de Annamaria Rastelli, foi a vez de, em 22 de junho de 1973, receber a segunda filha de Vera e Enrico - a Paola, a nova ruivinha da família, com seus grandes olhos azuis.

Odette foi trabalhar com um corretor de imóveis, vendendo casas no Brooklin Novo, bairro que era cortado por ruas com nomes de estados norte-americanos, boas escolas estaduais e comércio com pequenas lojas e supermercados. Tudo se encontrava no bairro e, se faltasse algo, era só ir à rua Joaquim Nabuco, no Brooklin ou pegar um ônibus na Av. Santo Amaro para o centro da cidade. E foi no final da rua Arizona, perto de uma mata que fazia divisa com o rio Pinheiros, que ela encontrou uma casa germinada, nova, com pequena cerca branca e a frente com chapiscos em azul. Ignacio e Odette providenciaram a documentação para o financiamento em 15 anos e receberam sua casa própria - na rua George Ohm, número 320, abrigo de muitas histórias nas próximas décadas.  

Em alguns finais de semana, Anna e Paola ficavam com os avós enquanto Enrico e Vera faziam pequenas viagens. Algumas vezes, Christian também era trazido pelo pai para passar algumas horas e brincar com as primas Anna e Paola. Naqueles dias, a casa se tornava um pequeno parque de diversões sob os olhos dos avós e tias ‘corujas’.

A caçula Maria Helena, que passaria a ser mais conhecida como Lena, terminou os estudos no Colégio Beatíssima Virgem Maria e ingressou no ensino público, para cursar o então colegial no Colégio Estadual Oswaldo Cruz. Ali fez novos amigos, com quem passou a frequentar festivais estudantis de música e festas regadas a cerveja e violão. 

Aqueles anos também foram palco de várias viagens de carro para Odette e filhas para conhecer a Bahia e todo o sul do Brasil. Ignacio mantinha seu escritório de contabilidade em casa, e descansava em temporadas em Águas de Lindoia ou na casa da cunhada em Ribeirão Preto.

Durante dois anos, Lena namorou um rapaz baiano, alto, com cabelo enroladinho, que tocava violão e cantava com jeito todo especial. Com ele, Lena andava de ônibus por toda São Paulo, indo, por exemplo, ao cinema Bijoux nos sábados à noite para assistir filmes proibidos para sua idade. Eudaudo era seu nome e Dau seu apelido. Costumava conversar sobre política e expor suas opiniões sem grandes discussões, calma e comedidamente. Como nunca se sabe o que se passa na cabeça de pais de meninas, Ignacio se mantinha em silêncio quando o assunto era aquele namoro. Até que, certo dia, em um café da manhã, ele pergunta para a filha caçula onde estava aquele rapaz que ele via de vez em quando em casa... E ela responde imediatamente e brava que haviam decidido terminar o namoro. Então, o pai abriu enorme sorriso, se levantou para levar os pratos para a pia da cozinha e começou a cantar!

Em fevereiro de 1975, depois do Carnaval, Lena tinha saído com um rapaz que havia conhecido há pouco tempo e estava conversando no carro dele quando Mario, um dos seus amigos, cumprimentou e entrou em sua casa – como muitas vezes faziam - para conversar com Odette.

Minutos depois, Mario pede para Lena entrar e, na sala de visitas, ela recebe a notícia que seu pai havia falecido. As três – Odette, Rosely e Lena choram juntas e aquele rapaz, quase desconhecido, teve gestos de enorme gentileza. Para evitar a autópsia pois ele havia tido um infarto fulminante, seria necessário a declaração do médico cardiologista que o atendia. Então, ele foi na casa do médico com Rosely e, depois, com José Carlos, um dos sobrinhos do casal, auxiliou nos trâmites dolorosos, mas necessários. Na mesma noite, Lena e Rosely foram comunicar a notícia à irmã mais velha. Enrico abriu a porta do apartamento, colocou a mão na cabeça assim que soube e foi chamar Vera, que veio de camisola e desmaiou assim que soube da perda do pai. Foram momentos difíceis que serviram para mais uma vez mostrar que a união na família sempre se mostrou forte – cunhados, tios, primos, primas – todos se revezaram nos dias seguintes ao enterro em um apoio constante.

Odette em seus quase 59 anos, mostraria novamente sua  garra em manter a casa como lugar de abrigo a quem precisasse e de aconchego para ela e as filhas Rosely e Lena. Com Vera Cecília, lidaram com a perda de um homem especial que transmitiu valores como respeito ao próximo e ensinou a sabedoria de ouvir.

Com Ignacio, as mulheres Miessva aprenderam que a solidariedade e a atitude equilibrada em tempos adversos ou de bonança é o que faz a diferença nos relacionamentos e não necessariamente religião, status social ou a cultura aprendida em livros e cursos. Foi-se o mestre e ficaram as alunas, que seguiram seus ensinamentos.


Odette pintando portão em 1972                                 Ignacio em pose no corredor 

Christian, o bebê Paola e Vera com Anna em seu aniversário



quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Vidas novas com risadas contagiantes

Em 30 de novembro de 1968, a igreja de São José, no bairro Jardins, em São Paulo, estava lotada. Amigos, familiares, colegas de trabalho. Todos ali para celebrar o casamento de Vera Cecília e Enrico.  Vera ainda vivia um tempo de tristeza pela morte da irmã Toy, sua companheira de toda vida. Mas a data já estava marcada há algum tempo e não fazia sentido, segundo Enrico, adiar o que iria acontecer mesmo. Sempre prático e organizado, deve ter ficado nervoso na hora das alianças que esqueceu – seu irmão Gianpaolo tinha ido buscar, mas não chegava e a cerimônia avançava... Então, não teve jeito. Os primos dos grandes amigos Eli e Keila, emprestaram suas alianças, que serviram perfeitamente!

Um pouco antes do segundo casamento na família,  foi feita a mudança para a enorme e até um pouco desproporcional casa da Rua João Paes, no Brooklin Velho. Na parte de baixo, além das salas de visita e de jantar, e entrada da garagem para a casa, tinha um quarto e banheiro para Peter e Christian, duas salas de almoço, e no fundo, lavanderia e duas salas. A casa tinha entradas laterais pequenas e independentes. Em uma sala, foi montado o escritório de Ignacio e na outra funcionava o ateliê de costura de Odette.  Na parte superior, além do banheiro, havia dois quartos (do casal e da Rosely), e um quarto simplesmente desproporcional – 7 por 6 metros – dividido em quarto da Lena, quarto da Idalina e mais uma área de costura para Odette. 

Depois, a recepção para convidados foi oferecida na casa de Dino e Anna Maria Rastelli, na Av. Pavão, de onde Vera e Enrico saíram para o aeroporto de Congonhas rumo ao Rio de Janeiro – cidade que sempre esteve na mira da família e que viria a ser o lar de alguns, décadas mais tarde.


Casamento de Vera e Enrico

Vera trabalhava no laboratório farmacêutico Ciba Geigy, que ficava pertinho da casa dos pais. E aproveitava a hora do almoço para ver a família e ‘curtir’ o sobrinho. Tudo transcorria bem até um acontecimento trágico abalar e mudar sua vida. No primeiro semestre de 1969, os pais de Enrico sofreram um acidente de carro e sua mãe faleceu. Com 25 anos, Vera perdeu a amiga que tinha lhe  mostrado o mundo italiano e assumiu os quatro homens de sua nova família. E, em outubro daquele ano, ela pode entender um pouco mais a alma dos Rastelli, quando foi para sua primeira viagem para Europa com Enrico. Infelizmente, quando estavam em Roma, o avô de Enrico faleceu. Esse período foi difícil para Vera, mas atenuado pela esperada gravidez.

E foi assim que em 25 de novembro de 1970 chega à família uma bela menina com fartos cabelos pretos. Assim que avisados, Odette e Ignacio foram para a Maternidade e Hospital Santa Catarina. Quando chegou e viu o genro Enrico, Odette começou a chorar. Ele a abraçou e disse:

- Está tudo bem, dona Odette. Foi cesárea e elas estão bem.

Odette entrou no quarto florido e abraçou a filha:

- Ah Verinha, Deus te deu uma menininha!

- É, mãe! Ela vai se chamar Annamaria e o Enrico ficou tão contente!

Annamaria iniciou sua vida na família, sempre fazendo companhia ao primo Christian em muitas idas à casa dos avós e em visitas ao Club Pinheiros  com os pais ou tios. Naquela casa, Christian começou a engatinhar, dar seus primeiros passos e a vida - como sempre sábia - preparou a família para futuros ciclos. Como o próximo, quando chegou mais uma ruiva na família.



Anna em um dos domingos em casa, no colo da tia-madrinha Lena


domingo, 4 de outubro de 2020

 

Pausa para folego - Peço licença para conduzir o texto na primeira pessoa do singular, ainda que todas as pessoas do meu plural familiar tenham passado por aquele momento. 

Lágrimas em cada rosto. Uma dor de todos.

Nenhuma família gosta de perder pessoas amadas. A minha família não é exceção. Talvez a exceção tenha sido que em uma família com tantos tios, tias, primos e primas que cresceram muito próximos, a doença e a morte de uma jovem de 25 anos tenham sido muito mais que um choque. Muitos que conheceram a história depois, dizem que foi um trauma familiar. Não tenho dúvidas quanto a isto.

Vivíamos um tempo só com alegrias, casamentos, nascimentos dos filhos da segunda geração e a doença da Toy levou familiares e amigos a uma rotina de plantão de hospital – tínhamos três turnos de amigos, primos, tios, tias, que se dividiam para ficar com ela – durante um mês e meio no Hospital São Luiz e mais um mês e meio no Hospital das Clínicas. Todos a conviver com uma doença discutida por vários médicos sobre sua origem, mas nenhum com a solução. Uma doença que minava suas forças. 

Ignácio, meu pai, foi desmoronando aos poucos e só conseguia energia para lidar com o escritório e clientes por muita determinação.

Idalina, que tinha chegado alguns anos anos para trabalhar em nossa casa e já era da família, passou a cuidar do Christian, que também ia com minha mãe algumas tardes para o escritório. 

Em uma das conversas que tive com minha mãe, para escrever este blog-livro, perguntei de onde ela tirou tanta força naquela época. Ela, com aquele seu olhar vivo e firme, respondeu:

- Não sei, Lena. Eu tinha que reagir. Tinha o Ignácio, tinham as meninas, tinha você – uma garota de quase 12 anos.

Os parentes ajudavam, a equipe da Seara Bendita (casa espírita que frequentávamos) montou um esquema de turnos para nos ajudar também. Minha irmã Vera se fazia de forte quando ficava com a Toy, para sofrer muito depois. Afinal, trabalhava no laboratório farmacêutico Ciba, antes tinha trabalhado no Hospital do Servidor Público, entendia dos termos médicos e perguntava tudo para os colegas.

Minha mãe ainda exemplificou como se sentia:

- Um dia, ao sair das Clínicas, peguei um táxi na Av. Rebouças e pedi para o motorista encostar o carro e comecei a chorar. Aí ele me perguntou o que tinha e eu respondi - Me deixa chorar, senão eu enlouqueço! Minha filha está muito mal no hospital e não posso chorar em nenhum lugar.  E ele respondeu: Então, chora, dona. Chora tudo o que a senhora tem que chorar. Durante uma hora eu fiquei ali chorando. Cansei de tanto chorar.

Eu só vi minha irmã Toy durante sua doença uma única vez no Hospital das Clínicas – na época, havia restrição para entrada de crianças em visitas. Fui maquiada para parecer mais velha e precisei entrar sozinha. Até hoje, quando passo por ali, é difícil esquecer aquele dia. Acho que sempre fui melhor na escrita. Depois de sair dali, escrevi um bilhetinho (que guardo até hoje) que pedi para minha mãe entregar para ela, dizendo que estava torcendo para voltar logo para casa, para o Peter e para o Christian. 

Na véspera de 12 de outubro de 1968,  Peter foi dormir no hospital. Uma noite que, anos depois me contou, foi de muita conversa e orientações dela.  E, ao lado dele, Toy morreu.

Meu pai, ao receber a notícia, abraçou minha mãe e disse:

- A nossa Toinha se foi, Odette.

E abraçados ali eles ficaram um longo tempo.

O enterro foi na tarde do dia seguinte. Desnecessário dizer sobre toda a dor que uma família enorme como a nossa passou naquele dia. Até hoje, muitos primos mais velhos quando veem o Christian em alguma festa, acabam chorando, lembrando da sua mãe, que era uma das mais velhas da família. Quando sorri, ele lembra mesmo muito a mãe. Hoje, é um homem com três filhos maravilhosos. Mas estou pulando muito tempo. Vamos voltar a 1968.

Vera acordou no dia seguinte ao enterro e viu que mamãe estava na lavanderia, colocando a roupa na máquina de lavar. Perguntou se estava tudo bem e se ela precisava de algo. Odette olhou firme e respondeu:

- A vida continua. As pessoas precisam comer, trabalhar, viver. Vera, a vida continua.

E foi pegar o Christian no colo. Desde aqueles dias e durante toda a sua vida, o neto mais velho foi tratado por ela como um filho. O ‘filhão’.


Odette e Lena com Christian, na rua João Paes, para onde nos mudamos em 1968.